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Acceptus Noctifer - Amores de Ofício cover art
Band
Albumpreview 

Amores de Ofício

(2009)
TypeStudio Full-length
GenresBlack Metal
LabelsSadolust Records
Album rating :  90 / 100
Votes :  1
Lyrics > A > Acceptus Noctifer Lyrics (8) >

Amores de Ofício Lyrics

(8)
Submitted by level 시니화자
1. Sonhos de Cadáver (4:21)
Órbitas sem olhos, lâmpadas sem luz,
maxilas cor d'âmbar, frias como o gelo,
faces descarnadas, crânios sem cabelo,
formas onde a carne se desfez em pus
despiu-nos a terra o tórax e os diversos membros.

Das bocas sem lábios sai-nos uma trova,
que é como um punhal esfarrapando a pele.
A desoras, quando treme o arvoredo,
e o silêncio esmaga as fortes ventanias,
no baile macabro damos as mãos frias
e vamos dançar cancãs que metem medo.

E quem sabe lá, profunda noite escura,
as voltas que demos quando ainda não
tínhamos descido à negra vala impura.

Ai quem sabe lá! Que a vida é enigma
aonde entramos rindo sem pensar na seca vida...
Vale mais morrer, que a morte é a saída...
dessa pena injusta, desse infame estigma.

Desse imundo charco...
A dor e a angústia, o desengano e a febre,
o ouro de um palácio e a fome de um casebre...
Que para ver males é que nós nascemos
pelas podridões das bacanais devassas,
onde o vício bebe por lascivas taças,
o veneno um que nos estraga o sangue.
2. Vícios de Covil (4:28)
O meu olhar entende o vosso olhar fatal,
se bem que o meu sentir, espavorido, fuja
desse perverso olhar, desse clarão que suja as almas
e envenena a flor do ideal...

Que vós não tendes alma, apunhalou-a o vício
nas cenas do deboche, às horas dos anseios...
D'há muito que o amor fugiu dos vossos seios,
e o vosso amor d'agora é um amor de ofício!

Por toda a parte encontro a vossa graça espúria
no mesmo tom banal de gestos imprudentes.
Abrindo a suja boca em risos indecentes,
para a fechar em beijos de luxúria!

O vosso ar ilude, o vosso busto chama,
escandalosamente, o vosso todo atrai...
Porém a sedução a breve trecho cai,
porque lhe falta a graça ingénua de quem ama...

Ou seja numa alcova ou seja num casebre,
o vício bestial, ó pálidas estátuas,
depois de vos gozar numas carícias fátuas,
concedo-vos somente as podridões e a febre.

Desenha-vos na face, encerra-vos na testa,
as rugas que colheu nas noites mal passadas.
E vai por essa vida a rir às gargalhadas,
do lívido desdém da rara gente honesta...

Não pára um só momento, abrange o mundo inteiro.
3. O Estertor Mortal (3:31)
Esperais que ao som horrífico
de vossos mil clamores
pungindo de terrores,
me rogue pelo chão?

Que ao ver as minhas vítimas surgir da sepultura
cedendo a atroz tortura,
eu clame por perdão?

Eis o sombrio préstito
das vítimas sangrentas.
As faces macilentas,
tinas de sangue e pó!

Rojando as alvas túnicas
no sepulcral lagedo
caminham, como a medo...
infundem pasmo e dó.

Sob o lenço funéreo
que os membros vos recobre,
o meu olhar descobre
os traços de um punhal.
E o sentimento de ódio
que o vosso aspecto exprime
traz-me à memória um crime...
Um estertor mortal!

(Lyrics adapted from several poems of Júlio Dinis)
4. Bacantes de Nobres Vícios (3:11)
A vossa alma é a carne.
O vosso corpo mordido...
um Santuário molhado por todas as salivas e suores do mundo.

Sois anjos com riso de crianças de uma doçura estranha,
lábios molhados de dúbios licores agrestes.
Vós que abraçais os choros da populaça em vossos húmidos seios.

Embora eu nutra um certo nojo comum,
amo a vossa vida de antro,
e os vossos vícios de de covil.
Amo talvez a dor que o vosso estranho olhar ensombra.
Oh destino estranho,
porque ninguém vos saúda?
5. Rio de Moinhos (3:08)
6. Veneno que me Bebe (5:36)
Eu hei-de embebedar o coração um dia
e assassiná-lo a rir de encontro ao peito escuro...
E cinicamente, deixá-lo apodrecer ao sol e à ventania...

Hei-de cegar o olhar, despedaçar-lhe a vista,
porque não torne a ver quem o despreza tanto.
Cisterna do desgosto e fonte do meu pranto:
há-de esmagar-te, sim, a minha mão d'artista...

Não quero coração, nem mesmo quero olhar,
mas cego buscarei o teu amor alvar,
veneno que me bebe e néctar que me anima...

Ou seja numa vala ou seja numa alcova,
hei-de calçá-lo aos pés, hei-de escarrar-lhe em cima!
E assassiná-lo a rir de encontro ao peito escuro...
7. Seja Essa a tua Sede... (6:03)
Chafurda na lama, puta imunda!
Sacia a tua sede nas espumas do prazer!
Resteja e seduz-me em trejeitos de serpente
num Éden bordel.

Lambe as tuas velhas cicatrizes
de corça ferida pelo lívido punhal do destino,
lembrando uma atmosfera de insalubres memórias.

Vagueia no meu leito de agulhas
e abraça-me na tua sede indolente
rasgando o sudário fúnebre que encobre o meu peito.

Ou, antes, no recato honesto da família,
De um varandim em flor,
E olha-me de relance num feiticeiro olhar,
Que a minha alma idealiza em minhas noites de vigília.

Assim o teu falso pudor, estranhamente raro,
Rasgando as podridões, mostra que tens alma,
A alma de todas as mulheres.

Morde-me víbora do gozo!
8. Funérea Madrugada (6:31)
Acolhe-me nos teus famintos delírios
de meretriz de raça infame...
subsorve-me soturna e distante madrugada.
Bafeja sob mim o cheiro húmido do pranto
das crianças estropiadas,
por esses carris dilacerantes.

Acolhe-me nas entranhas da tua eternidade,
nos espasmos sussurrantes da peste e da fome,
que na tua altivez gesticulam em contradanças
ao brilho de um fatal punhal...

E me vazas os olhos de um ocre vermelho,
num decrépito manto exangue.
por toda a parte, o fogo errante,
o ódio que ao estremo horror as coisas leva.

Penetrante e estrídulo soa o horrendo pânico,
nos sepulcrais lajedos, os fantasmas de todas as mentiras.
A minha dor ai repousa na podridão do lodo,
durmo nos abismos das mortas falésias.

Na enregelada terra,
numa hoste estranha, de gritos secos,
fermento a minha alma em pântanos imensos,
onde apodrecem todos os desejos distantes.

Recebo a eterna recompensa - o processo invisível da minha ruína,
o definhar dos meus membros até ao último grão de pó.
A estranha eternidade, a atroz tortura,
a minha penitência!

Embalo-me em gritos sublimes,
semelhantes ao de um agudo estertor,
enquanto nos meus sonhos de cadáver
o frio mortal da alma me alimenta... confidentemente...
9. Canteiro de Ossos (5:35)
À porta daquele secular mosteiro,
onde a luz do sol fugiu, e abraçou a alva lua,
o nosso amor defunto caiu carcomido, engelhado
pelos trilhos de uma memória que se desejava ser lótus.

Bebi dos teus lábios aquilo que agora desprezo.
Amo o Ódio!
A cura para a minha vil doença!

Mas guardo os teus ossos numa caixa ferrugenta,
uma espécie de canteiro que cultivo.
Num certo recanto daquele velho quarto!
Aquele...
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